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20 de set. de 2011

Mais uma Biografia

Como faz tempo que não escrevo sobre uma biografia, resolvi fazê-lo hoje... Tanto que o texto de hoje será sobre a maravilhosa obra: Eu, Malika Oufkir Prisioneira do Rei.
Aliás, foi ela a grande responsável por me fazer começar a gostar de biografias.
Extremamente bem escrito e contado em primeira pessoa pela própria Malika, esta obra conseguiu captar cada emoção e sofrimento dessa bela marroquina e sua família, durante todo o período, 20 anos, em que foram prisioneiros do rei Hassan II.
Com uma narrativa intensa e emocionante, este livro tornou-se pra mim uma das obras-primas das biografias... Um relato de força e esperança... Um drama real vivido por pessoas de carne, osso e alma e que durante muito tempo esteve esquecido... Uma história que prende completamente a atenção do leitor... E, embora possa haver no mundo muitas outras histórias comoventes que deveriam ser contadas, de pessoas que sofrem, assoladas por tragédias desde pequenas, e embora também o pai de Malika não fosse nenhum santo, esse relato dela não deixa de ser importante... Afinal não se trata de um relato político, mas da emocionante luta de uma família pela vida... E é exatamente essa luta, esse não desistir, essa força, esse sentimento de amor e comprometimento entre mãe, filhos e irmãos que mereceu ser contada de forma tão detalhada e verdadeira...

Sinopse: “Criada pelo rei Mohammed V e por seu filho Hassan II, do Marrocos, até os dezoito anos Malika levou uma vida de princesa. Viveu em palácios, recebeu educação refinada, com preceptoras européias, e circulava pelo mundo em jatos executivos. Aproximou-se de artistas de cinema, reis, príncipes e chefes de Estado. Flertou com Alain Delon – cuja corte ela recusou por considerá-lo “muito velho”. Vestia-se nos melhores costureiros de Paris e seu baile de debutantes atraiu colunistas sociais de toda a Europa.
Seu pai, o general Mohamed Oufkir, chefe do Exército e da polícia secreta marroquina, era o homem mais poderoso do país depois do rei. Acusado de praticar monstruosidades contra os opositores da Hassan II, ele fora condenado à prisão perpétua na França, à revelia, no final dos anos 60, por ter mandado seqüestrar e matar o líder oposicionista Bem Barka.
Em agosto de 1972 Oufkir tenta derrubar o rei por meio de um golpe de Estado. O conto de fadas de Malika começa a virar pesadelo. O general, pai dela, é morto dentro do palácio real e dado como suicida. A viúva e seus seis filhos – o mais novo com apenas dois anos de idade – são levados para uma masmorra nos confins do Saara, onde passam vinte anos presos. Sem processo, sem julgamento, sem condenação, sem nada. Uma prisão perpétua disfarçada, que só é interrompida quando a família empreende uma cinematográfica fuga pelo deserto.
O leitor mais vigoroso sempre poderá dizer que, pelo silêncio, Malika absolve o pai dos crimes que ele cometeu durante o reinado de Hassan II. É verdade. Mas este não é um livro de política. É o relato de uma tragédia que passou todo esse tempo inexplicavelmente coberta pelo pó do esquecimento.”

Abaixo, uma foto mais atual de Malika:


11 de ago. de 2011

À Margem de Alice

 Acabei de terminar o livro À Margem de Alice e já vim correndo escrever sobre ele... Queria dividir com vocês a exata sensação que fica após terminarmos um romance desses... É tudo tão real, um misto de sentimentos que vai da imagem da cena final que criamos em nossa cabeça até a triste saudade de uma personagem que se tornou praticamente uma pessoa conhecida...
À Margem de Alice não relata só uma história fictícia, mas descreve - em alguns momentos com riqueza de detalhes e em outros de forma quase poética - os sentimentos de seus personagens...
Alice, uma das personagens, sempre buscou conhecer melhor sua mãe para assim entender melhor seu lugar dentro da própria família. Infelizmente algumas respostas ficam guardadas por anos e nem sempre se revelam da maneira que as pessoas esperam...
Esse romance narra, através de uma descrição detalhada de sensações, sentimentos, lugares, pessoas e coisas, a trajetória de Alice em busca de respostas para segredos que ela acredita estarem guardados entre as pessoas que mais ama. Inclusive a resposta para o vazio, que sentiu durante tanto tempo, na relação com sua mãe.
Como diz na própria “orelha” do livro, é “uma história fascinante e lindamente escrita que passeia pela paisagem emocional de seus personagens com força e precisão...” Uma obra, que apesar de exalar boa dose de tristeza, consegue nos prender em cada página... Uma obra que consegue também permanecer em nossas lembranças... Uma obra que deixa a idéia de continuidade... Essas partes, que permanecem dos livros, é que os tornam tão ricos culturalmente, tão merecedores de nossa atenção...

Sinopse: Desde que Alice Green podia se lembrar, sua inatingível mãe, Charlotte, entrava e saía da vida familiar, desaparecendo com freqüência e sem dar explicações. Apesar da exótica coleção de suvenires, recordações de suas incontáveis viagens internacionais, a casa dos Green foi se tornando cada vez mais vazia, já que nada, a não ser Charlotte, seria capaz de preencher seus espaços. Diante da tênue presença de sua mãe e de um pai carinhoso, mas distante por longas jornadas de trabalho, Alice e seu irmão, August, reagiam de maneiras diferentes. Embora buscasse constantemente apoio afetivo em outras mulheres, August mantinha um vínculo tácito com Charlotte que lhe permitia uma certa liberdade. Alice, porém, não gozava dessa segurança e passou a se sentir à margem dos sentimentos, sempre à procura de um modo de manter sua mãe em casa. Quando, anos mais tarde, seu irmão, de espírito tão livre, inusitadamente se afasta, Alice viaja para encontrá-lo em uma isolada cidade praiana. É lá que um segredo há muito guardado surgirá para que Alice possa aceitar a realidade de sua fragmentada família e descobrir seu próprio lugar nela, libertando-se da figura de uma mãe que, talvez, ela nunca tivesse realmente conhecido.