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15 de jun. de 2012

Madame Bovary - parte II


Voltando a nossa amiga Bovary...
Então, o escritor francês, Gustave Flaubert, publicou esse romance em 1857, o que gerou toda uma comoção naquele tempo (imaginem) e levou o autor a um julgamento por ofender a moral e a religião, do qual ele foi absolvido. Madame Bovary foi seu trabalho mais importante e considerada a primeira obra da literatura realista.

O romance faz uma crítica aos valores burgueses da época narrando a história de Emma, uma mulher criada no campo, muito bonita e requintada para os padrões provincianos, que mesmo casando-se com o apaixonado médico Charles Bovary, nunca parece estar satisfeita com sua vida, buscando no adultério, a liberdade e a felicidade que nem seu marido e nem o nascimento de sua filha conseguiram satisfazer...

Gostei de duas coisas nessa obra:
- Uma, claro, a história em si e sua relação com a Psicanálise de Lacan que aprendi na faculdade. É claro que depois de anos, o livro acabou fazendo muito mais sentido que o filme. Aliás, acho que li esse livro justamente por conta de seu significado psicanalítico e acabei gostando da história independente disso.
- Duas: mesmo sendo um livro de 1857, o autor continua fazendo-se entender até os dias de hoje, assim como o conteúdo de sua obra, o que mais uma vez vem provar (como se isso precisasse de provas) o caráter atemporal da literatura.

Leiam, conheçam a história, façam suas próprias análises e divirtam-se... Acho tão bom quando um romance é capaz de abrir um leque de significados e observações... Vamos trocar idéias... Venham aqui comentar, quero saber a opinião de vocês sobre o livro (ou filme) e sobre a Psicanálise... Sejam sempre bem-vindos!!! Um ótimo fim de semana a todos!!!! 


O escritor Flaubert

Imagem de Emma Bovary no filme que assisti

14 de jun. de 2012

Madame Bovary e a Psicanálise - parte I


Olá minha gente!!!

Então, a primeira vez que ouvi falar sobre Madame Bovary foi na faculdade de Psicologia. Estava fazendo uma matéria que se chamava “Introdução a Jacques Lacan”, lecionada pelo professor Sérgio Scott, na UFSC.
Para quem não conhece, Lacan foi um importante teórico da Psicanálise e, foi também por gostar e me identificar com sua obra que, durante alguns anos, fiz análise com uma Psicóloga de Orientação Lacaniana – ela era (e continua sendo) quase uma “ídola” pra mim (Freud, ou Lacan, explicam isso, hehe)... Depois da faculdade também fiz alguns anos de formação em Lacan porque, pra mim pelo menos, sua relação teoria-prática é algo totalmente palpável no consultório - trocando em miúdos - é possível ver, de forma clara e prática, todo o sentido de seus ensinamentos na relação terapeuta-paciente...

Ai, ai, meu povo, me empolguei, mas é que esse assunto é empolgante demais pra mim... Lembro que quando fui a primeira vez na Escola Brasileira de Psicanálise, em Floripa, fiquei admirada com os jornais franceses que estavam pendurados em quadros nas paredes, dando à sala da Escola um ar meio “retrô”, misterioso e analítico, hehe... Sim, definitivamente adoro a Psicanálise e consigo sentir sua presença em diversos momentos da vida – da minha e da dos outros – mas não se preocupem, não fico analisando o povo o tempo todo, atualmente, como não clinico, costumo fazer isso só diante o pedido de alguma amiga insistente, hehe... As manifestações artísticas – literatura, cinema, teatro – e as relações humanas também estão carregadas de Psicanálise...

Agora, voltando ao início... Esse professor que ministrava Lacan, Sérgio Scott, era um especialista em Madame Bovary. Como assim??? Explico: Sérgio Scott usou a obra Madame Bovary em seu doutorado para falar da Histeria, uma neurose bastante complexa e estudada desde os tempos de Freud... Aliás, o termo “histérica” caiu no gosto popular e hoje é utilizado para definir pessoas que não necessariamente apresentam essa neurose (eis o tão falado senso comum)...
Depois de falar sobre essa tal Madame, o professor apresentou o filme de mesmo nome (sim, existe o livro e o filme)... É, faz tempo minha gente, tanto que na época, assistimos o filme, que havia sido gravado do Corujão (aquele que passa bem tarde na globo e que geralmente apresenta filmes mais antigos, lembram??? Pois é), num vídeo cassete... Agora só me recordo de ter achado aquela mulher, vamos chamar assim, um tanto quanto singular, hehe...

E, depois de muitos anos, me deparo com quem??? Exatamente, com o tal livro do Gustave Flaubert chamado: Madame Bovary. Só não lembro aonde comprei, sei que foi num sebo, mas não lembro das circunstâncias específicas, mas acho que isso não importa né??? Aliás, este livro está emprestado e ainda não me devolveram, hehe, mas a pessoa já se explicou...
Voltem amanhã e contarei a história do livro sim??? Porque esse texto aqui já ficou muito grande pro meu gosto (e de repente para o de vocês também, melhor prevenir, hehe)... “Inté” amanhã!!!!

Jacques Lacan

Capa da edição que li (bem antiga)