17 de fev de 2012

Martha Medeiros

Oiii meu povo!!!
Como faz tempo que não posto uma crônica aqui no blog, resolvi fazer isso hoje, já aproveitando também para matar a nossa saudade (ou pelo menos a minha, hehe) da Martha Medeiros... Recebi essa crônica ontem, por e-mail, da Taty... Muito obrigada minha amiga!!!
E já aproveito também a oportunidade para desejar a todos um fim de semana (e feriado) maravilhoso... Eu, como não pulo carnaval, vou aproveitar o feriado para viajar, descansar e curtir a companhia do meu maridão e de nossos amigos... Mas para quem gosta de “sacudir o esqueleto” Feliz Carnaval!!! E boa viagem para quem vai viajar... Até logo pessoal!!!


Vende-se tudo:

No mural do colégio da minha filha encontrei um cartaz escrito por uma mãe,
avisando que estava vendendo tudo o que ela tinha em casa,
pois a família voltaria a morar nos Estados Unidos.
O cartaz dava o endereço do bazar e o horário de atendimento.
Uma outra mãe, ao meu lado, comentou:
- Que coisa triste ter que vender tudo que se tem.
- Não é não, respondi, já passei por isso e é uma lição de vida.

Morei uma época no Chile e, na hora de voltar ao Brasil,
trouxe comigo apenas umas poucas gravuras, uns livros e uns tapetes.
O resto vendi tudo, e por tudo entenda-se:
fogão, camas, louça, liquidificador, sala de jantar, aparelho de som,
tudo o que compõe uma casa.
Como eu não conhecia muita gente na cidade,
meu marido anunciou o bazar no seu local de trabalho
e esperamos sentados que alguém aparecesse.
Sentados no chão.
O sofá foi o primeiro que se foi.

Às vezes o interfone tocava às 11 da noite
e era alguém que tinha ouvido comentar que ali estava se vendendo uma estante.
Eu convidava pra subir e em dez minutos negociávamos um belo desconto.
Além disso, eu sempre dava um abridor de vinho ou um saleiro de brinde,
e lá se iam meus móveis e minhas bugigangas.
Um troço maluco: estranhos entravam na minha casa e desfalcavam o meu lar,
que a cada dia ficava mais nu, mais sem alma.

No penúltimo dia, ficamos só com o colchão no chão, a geladeira e a tevê.
No último, só com o colchão,
que o zelador comprou e, compreensivo,
topou esperar a gente ir embora antes de buscar.
Ganhou de brinde os travesseiros.

Guardo esses últimos dias no Chile como o momento da minha vida
em que aprendi a irrelevância de quase tudo o que é material...
Nunca mais me apeguei a nada que não tivesse valor afetivo.
Deixei de lado o zelo excessivo por coisas que foram feitas apenas para se usar,
e não para se amar.
Hoje me desfaço com facilidade de objetos,
enquanto que torna-se cada vez mais difícil me afastar de pessoas
que são ou foram importantes,
não importa o tempo que tiveram presentes na minha vida...

Desejo para essa mulher
que está vendendo suas coisas para voltar aos Estados Unidos,
a mesma emoção que tive na minha última noite no Chile.
Dormimos no mesmo colchão,
eu, meu marido e minha filha, que na época tinha dois anos de idade.
As roupas já estavam guardadas nas malas.
Fazia muito frio.
Ao acordarmos, uma vizinha simpática nos ofereceu o café da manhã,
já que não tínhamos nem uma xícara em casa.

Fomos embora carregando apenas o que havíamos vivido,
levando as emoções todas,
nenhuma recordação foi vendida ou entregue como brinde.
Não pagamos excesso de bagagem e chegamos aqui com outro tipo de leveza.
Lembrem-se:
Só possuímos na vida o que dela pudermos levar ao partir.



4 comentários:

  1. Oi, amiga!!! Adorei a crônica.
    Espero um dia ser tão desapegada assim também. Mas é mais fácil falar do que por em prática.
    Aos poucos eu chego lá.....rsrsrs
    Um beijão pra vc e bom descanso.....tb vou descansar e ler bastante no carnaval!

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  2. Ja leu as brumas de avalon? Estou começando a escrever a resenha pra quando terminar o livro publicar, e ele é muito bom!!!!
    Já leu????
    Bjoooo
    Aline

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  3. Alyne, neste carnaval li um livro bélissimo e te recomendo (se é que ainda não leu) A elegância do ouriço de Muriel Barbery.bjs

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  4. Meninas estou respondendo lá no blog das senhoras e senhoritas!!!

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